Com Terminal Urbano vazio, frota de ônibus é totalmente paralisada em Rio Branco
22/04/2026
(Foto: Reprodução) Com Terminal Urbano vazio, frota de ônibus é totalmente paralisada em Rio Branco
Os motoristas do transporte coletivo de Rio Branco paralisaram totalmente a frota de veículos nesta quarta-feira (22) sob alegação de salários e benefícios trabalhistas atrasados. Com a suspensão da circulação dos ônibus, o Terminal Urbano, no Centro da capital, amanheceu sem passageiros ou carros no local. (Veja o vídeo acima)
O g1 entrou em contato com o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros e Cargas do Estado do Acre (Sinttpac) e com a Ricco Transportes e Turismo, empresa responsável pela gerência do serviço, e aguarda retorno.
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A paralisação, decidida pelos próprios motoristas sem que a mobilização fosse feita pelo sindicato, foi anunciada nessa terça-feira (21) nas redes sociais. Por conta disto, muitos passageiros se anteciparam e resolveram usar transporte particular para se deslocar pela cidade.
Em uma publicação, o prefeito da capital, Alysson Bestene (PP), afirmou que se reuniu com o sindicato para ouvir as demandas da categoria e buscar soluções para enfrentar a crise. A empresa também foi chamada para uma última conversa.
Segundo o gestor, foi feito um acordo para que o movimento conceda um prazo de 48 horas e suspenda as paralisações, enquanto a gestão trabalha na adoção de medidas que garantam a normalização do transporte e o respeito aos trabalhadores e usuários.
Motoristas de ônibus paralisaram totalmente as atividades nesta quarta-feira (22) em Rio Branco
Richard Lauriano/Rede Amazônica Acre
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A categoria afirmou que tentou diversas negociações, mas sem sucesso até esta quarta. A previsão é de que às 10h haja uma reunião para que os pagamentos sejam efetuados.
"O sindicato fez o papel dele, fez o edital, publicou e estava cumprindo uma lei de greve, que era de 70% [circulando] na hora de pico e, entre-picos, 50%. Só que a gente não teve resposta nem da RBTrans e prefeitura e muito menos o Ministério Público do Trabalho. Ninguém se manifestou. O trabalhador está com o pagamento atrasado, o cartão de alimentação e o sacolão também. Eu até tentei, junto com o prefeito, trazê-lo aqui pra coibir, suspender essa paralisação. Só que não teve sucesso", afirmou o motorista Raimundo Ferreira.
Motoristas da Ricco paralisam totalmente o transporte coletivo em Rio Branco nesta quarta-feira (22)
Richard Lauriano/Rede Amazônica
Prejuízos e outras alternativas
Enquanto o sistema não normaliza, a população tende a recorrer a outras alternativas. O motorista de táxi compartilhado José Cornelho disse que acompanha a situação e que a procura pelo serviço aumentou.
"A passagem mais cara nossa, para a Cidade do Polo e Vila Acre, é R$ 7. Aos outros bairros é R$ 6. Nós não estamos aumentando. Os irregulares, inclusive, estão cobrando R$ 10, R$ 15 reais por pessoa. O Taxi Compartilhado não, a gente já tem uma regra: não se aproveitar do problema que está acontecendo para aumentar as passagens", afirmou.
O aposentado Nivaldo Oliveira saiu de casa pra almoçar no Restaurante Popular. Contudo, foi surpreendido pela paralisação.
"Me deu vontade de almoçar no restaurante popular, aí eu vim para cá [parada de ônibus], mas chegando aqui não tinha ônibus. Estão de greve, né?! E já faz já meia hora que eu estou aqui. Estou esperando ver se passa, mas não passou e eu estou por aqui. Eu espero que tudo dê certo. Para chegar lá no restaurante, vai ser meio difícil. Eu almoço em casa mesmo, tenho almoço pronto, só esquentar e comer", lamentou.
Passageiros reclamam de paralisação feita nesta quarta-feira (22) por motoristas da Ricco, em Rio Branco
Richard Lauriano/Rede Amazônica
Edital suspenso
Nessa terça-feira (21), o secretário-adjunto de Gestão Administrativa, Erick Silva de Oliveira, explicou em entrevista à Rede Amazônica que a suspensão do edital de licitação do transporte coletivo na capital, divulgada na última segunda-feira (20) pela Comissão Especial de Licitação (CEL), foi necessária para permitir uma análise mais detalhada dos pedidos de esclarecimento e das impugnações apresentadas por empresas ao processo.
O gestor ressaltou que a medida é prevista em casos de complexidade e serve para garantir uma avaliação mais cuidadosa antes da continuidade do certame.
O edital foi publicado em 12 de março com prazo para apresentação das propostas até a próxima quarta-feira (22). Segundo a prefeitura, três empresas demostraram interesse na licitação dentro do período. Portanto, quatro pedidos de impugnação, feitos por três empresas e uma pessoa física, motivaram a interrupção do processo.
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Um dos pontos questionados foi o fato da concorrência ocorrer em formato presencial. De acordo com o secretário, a intenção inicial era que o processo fosse eletrônico, mas houve limitação no sistema utilizado.
Além disso, as planilhas de custos, fixada em R$ 10,94 por quilômetro, e o valor da tarifa também foram alvo de apontamentos por parte das empresas.
Caso a alteração ocorra, o documento será republicado e um novo prazo para envio de propostas será aberto. A estimativa é que esse processo leve cerca de 30 dias, mas não há data definida para conclusão.
Usuários do transporte coletivo relatam dificuldades no dia a dia e cobram melhorias no serviço
Amanda de Oliveira/ Rede Amazônica Acre
Licitação
A licitação prevê a concessão do sistema de transporte coletivo da capital por 10 anos. O contrato tem valor global estimado em R$ 1.011.019.747,20 e considera a operação ao longo de todo o período. O custo de referência por quilômetro rodado foi calculado em R$ 10,94.
Já tarifa de referência para o usuário permanece em R$ 3,50. Atualmente, o transporte coletivo da capital atende cerca de 1 milhão de passagens por mês, número que pode chegar a 1,2 milhão, segundo a projeção utilizada no processo de concessão.
Há anos o sistema de transporte público da capital passa por instabilidades. Desde fevereiro de 2022, a operação é feita pela empresa Ricco Transportes e Turismo, que assumiu 31 das 42 linhas após a saída da Empresa Auto Viação Floresta. Desde então, o serviço tem sido mantido por meio de contratos emergenciais renovados a cada seis meses.
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