Enchente no Juruá: Famílias desabrigadas voltam para casa em Cruzeiro do Sul
06/05/2026
(Foto: Reprodução) Famílias deixam abrigos após cheia em Cruzeiro do Sul
Mesmo com o Rio Juruá acima da cota de transbordo, que é de 13 metros, as famílias afetadas pela cheia já começaram a retornar para suas casas em Cruzeiro do Sul, interior do Acre.
Na medição desta quarta-feira (6), o manancial marcou 13,50 metros e segue em vazante pelo quarto dia consecutivo. Em comparação com o dia anterior, o Rio Juruá baixou 24 centímetros.
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A desmobilização dos abrigos teve início nessa terça-feira (5) com o retorno de 45 famílias para suas residências. A ação iniciou pelas escolas Madre Adelgundes Becker, no bairro Miritizal, e Marcelino Champagnat, no bairro João Alves.
Conforme a Defesa Civil Municipal, o objetivo é que as outras 20 famílias, com mais de oitenta pessoas e que ainda estão em abrigos, retornem ainda nesta quarta (6) para suas casas.
“Tem todo um prejuízo social, suspensão de aula, suspensão de atendimento nos postos de saúde e tudo isso precisa voltar à normalidade o quanto antes. Então, a gente está acelerando o processo, sabendo que as nossas previsões são que o rio ainda vai continuar em descensão”, explicou o coordenador do órgão, Damasceno Júnior.
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Famílias começaram a retornar para suas casas nessa terça-feira (5)
Arquivo/Defesa Civil de Cruzeiro do Sul
Os abrigos que ainda estão com famílias são:
Escola Municipal Padre Arnoud: abriga cinco famílias;
Escola Municipal Corazita Negreiros: abriga seis famílias;
Escola Municipal Thaumaturgo de Azevedo: abriga uma família;
Escola Municipal Terezinha Saavedra: abriga seis famílias
Escola Municipal Rita de Cássia: abriga duas famílias.
A escola Madre Adelgundes Becker, no bairro Miritizal, abrigava 29 famílias indígenas que moram na periferia de Cruzeiro do Sul. Elas foram as primeiras a retornar para suas residências.
Para a dona de casa Zeneide Kaxinawá, não há nada melhor do que voltar para casa. “Melhor estar em casa e estar trabalhando também. Aqui na escola estão precisando voltar ao trabalho e nós queremos ir para casa agora”, disse.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Cruzeiro do Sul, algumas famílias já receberam kits de limpeza nos abrigos e conseguiram ir até suas casas para ver como está a situação.
“E já começar uma limpeza, justamente para tentar colocar em normalidade a sua residência, o seu lar ali para ficar em uma situação mais tranquila”, destacou Damasceno Júnior.
Algumas famílias já receberam kits de limpeza nos abrigos e conseguiram ir até suas casas para ver como está a situação
Arquivo/Defesa Civil de Cruzeiro do Sul
Cheia
O pico da cheia foi registrado na última sexta-feira (1º), quando o manancial atingiu 14,19 metros e superou pela segunda vez, em menos de um mês, a marca histórica de 14,15 metros, na ocasião o nível se manteve estável por dois dias. A cheia atingiu 7.087 famílias, em 12 bairros, 15 comunidades rurais, 4 vilas e mais de 28 mil pessoas foram afetadas.
Conforme o monitoramento da Defesa Civil Municipal, as maiores inundações registradas em Cruzeiro do Sul ocorreram em 2017 (14,24 metros), em 2021 (14,36 metros) e em 2026. O Rio Juruá está em vazante desde o último sábado (2), quando marcou 14,17 metros na medição das 18h.
Há quase um mês, no dia 8 de abril, famílias que haviam sido retiradas de casa por conta da quarta cheia começaram a retornar após a vazante do Rio Juruá. O pico daquele primeiro momento foi registrado no dia 4 de abril, quando o manancial atingiu 14,15 metros e afetou mais de 28 mil pessoas.
No entanto, pouco mais de duas semanas depois, no dia 26 de abril, o rio voltou a subir e atingiu o quinto transbordamento, forçando novamente a retirada de moradores de áreas alagadas e a reabertura de abrigos no município dois dias depois.
Devido às cheias de rios em várias regionais do estado, o governo do Acre decretou situação de emergência em seis municípios. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE) no dia 5 de abril e reconhecida pelo governo federal uma semana depois.
Rio Juruá marcou 13,50 metros na medição desta quarta -feira (6)
Carla Carvalho/Rede Amazônica
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