Presença de pombos preocupa comerciantes e levanta alerta para risco de doenças no AC

  • 20/07/2026
(Foto: Reprodução)
Fezes de pombos preocupam comerciantes e exigem cuidados com a saúde A presença de pombos em praças, mercados e outros espaços públicos traz preocupação para comerciantes que convivem com essas aves em Rio Branco. Apesar de fazer parte da rotina de quem vive e trabalha na capital, a concentração dessas aves pode causar problemas, principalmente quando há acúmulo de dejetos no ambiente. As fezes secas desses animais podem conter fungos capazes de causar doenças como a criptococose, conhecida como a doença do pombo, e a histoplasmose, infecção pulmonar causada por fungo. A contaminação ocorre, principalmente, quando o material seco é removido de forma inadequada. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp O comerciante Jamil Barbosa trabalha no Mercado da Seis de Agosto, no Segundo Distrito de Rio Branco. Segundo ele, os comerciantes chegaram a conviver com uma situação crítica e que a quantidade de pombos no local chegou a afastar clientes. “A clientela fugiu do mercado devido ao mercado ter sido tomado pelos pombos, muitas fezes e muito risco de saúde”, relata. Pombos e fezes acumuladas preocupam comerciantes e levantam alerta para doenças em espaços públicos de Rio Branco Reprodução/Rede Amazônica Acre De acordo com o comerciante, a situação começou a melhorar depois que telas de proteção foram instaladas em todo o mercado para impedir a entrada das aves. “Hoje o nosso mercado está telado, 90% do problema foi resolvido, graças a Deus. Mantém só uma pequena parte [ainda entra no local], mas a gente vai espantando [eles] aos poucos e, graças a Deus, vamos trabalhando com o mercado limpo”, afirma. Já a comerciante Maria José vende salgados há mais de 20 anos na praça localizada ao lado da Biblioteca Pública Adonay Barbosa dos Santos, onde funciona a Filmoteca Acreana, no Centro da capital. Segundo ela, a presença dos pombos interfere na rotina de trabalho e que preocupa os clientes. LEIA MAIS: Atendente de loja morre com 'doença do pombo' um dia após diagnóstico em Rio Branco: 'sem chão' Especialista explica sintomas da 'doença do pombo' que matou atendente de loja no Acre Pesquisa alerta para presença de doença propagada por morcegos no Acre Saiba evitar doenças transmitidas por pombos, morcegos e ratos “É difícil. Tem cliente que reclama, mas não podemos fazer nada, a gente precisa trabalhar. Eu não tenho outro ganho, é só daqui, então eu preciso trabalhar, tenho que enfrentar tudo isso”, conta. A comerciante detalha que procura manter o espaço e os produtos limpos, mas diz que ainda não encontrou uma forma eficaz de manter as aves afastadas do local. “A gente mantém [o local] limpo, continua limpo, tem álcool que passamos nas coisas e nas mãos das pessoas quando chegam para comer. Para manter eles à distância não tem como, porque eu acho que é da natureza mesmo eles. Eu não sei o que fazer”, detalha. Maria conta ainda que já tentou algumas alternativas para espantar os animais do local, mas não teve nenhum sucesso. “Ensinaram que eles tinham medo da corujinha, colocamos, mas não funcionou. Jogar migalhas para eles é pior, porque aí é que eles vêm mais. Não sei o que fazer”, diz. Doenças como criptococose e histoplasmose são transmitidas pela inalação de fungos presentes nas fezes secas de aves como os pombos Reprodução/Rede Amazônica Acre Cuidados A criptococose e a histoplasmose são doenças causadas por fungos encontrados no ambiente. A preocupação aumenta em locais onde há grande concentração de aves e acúmulos de fezes. A criptococose pode provocar sintomas como tosse, dor no peito, dores de cabeça, tontura e vômito. Em casos mais graves, pode atingir o sistema nervoso central e causar dor de cabeça intensa, rigidez na nuca e confusão mental. Já a histoplasmose pode não apresentar sintomas em alguns casos. A infecção ocorre geralmente pela inalação de esporos do fungo que se espalham pelo ar. Em pessoas saudáveis, pode provocar sintomas parecidos com os de uma pneumonia leve, como febre, dor no corpo e tosse. A doença pode evoluir para quadros respiratórios mais graves, com risco maior para pessoas com o sistema imunológico comprometido. Veja o ciclo da criptococose Arte/TV Globo De acordo com o coordenador do Departamento de Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Daniel Souza, a orientação é evitar contato direto com as fezes e não fazer a limpeza sem os cuidados necessários. Antes da remoção, segundo ele, o local deve ser umedecido para evitar que as partículas contaminadas se espalhem pelo ar, além de ser recomendado o uso de equipamentos de proteção como luvas e máscaras. O coordenador detalha ainda que as equipes do departamento fazem visitas de orientação em locais onde há concentração de pombos e outras aves que podem estar associadas à presença de fungos. “Na maioria das vezes, nós fazemos as nossas visitas de orientação em mercados do município, praças, escolas e até mesmo postos de saúde e UPAs, através da solicitação da própria comunidade”, explica. A recomendação, segundo ele, é não alimentar esses animais em locais públicos, evitar a concentração das aves e não varrer, ou remover, as fezes secas antes de umedecer o local. A limpeza feita de forma adequada reduz o risco de inalação de partículas contaminadas. “Nosso principal papel é apenas orientar como as pessoas devem fazer diante de situações em que encontram uma grande quantidade de pombos ou outras aves que possam transmitir o fungo da criptococose”, afirma. Secretaria de Saúde de Rio Branco orienta umedecer o local antes de limpar fezes e usar luvas e máscaras, além de recomendar não alimentar os pombos Reprodução/Rede Amazônica Acre Caso fatal em 2023 Em novembro de 2023, a atendente de loja Sandra Silveira Bezerra, de 49 anos, morreu no Pronto-Socorro de Rio Branco por conta da infecção. Na certidão de óbito consta que Sandra faleceu de meningite fúngica, criptococose, edema cerebral e pneumonia. Sandra trabalhava há mais de 12 anos em uma loja de variedades que fica na Rua Cel. Alexandrino, bairro Bosque, na capital acreana, onde há constantemente a presença de pombos. O dono da loja, inclusive, confirmou que foi diagnosticado com a doença há dois anos. Sandra Silveira em novembro de 2023 no Pronto Socorro de Rio Branco Arquivo pessoal À época, o g1 conversou com a filha mais velha de Sandra, Fábia Silveira Rodrigues, de 31 anos, que contou que a mãe começou a passar mal no final do mês de setembro com tontura. Em outubro, passou a sentir muita fraqueza, tosse e dificuldades para respirar. Sandra foi levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), fez um raio-X e foi detectada uma mancha em seu pulmão. Foi então que a filha mais velha levou Sandra em um pneumologista para exames mais específicos. A atendente ficou na UPA do Segundo Distrito até dia 8 de novembro, quando foi transferida para o pronto-socorro. Na unidade de saúde, segundo Fábia, fizeram um exame para meningite e sua mãe começou a tomar antibióticos. Atendente de loja morre por complicações causadas pela criptococose em Rio Branco O diagnóstico certo foi descoberto apenas no dia 14 de novembro, quando Fábia pegou o resultado do exame feito em Sandra no laboratório e apresentou para o médico plantonista. A jovem conta que sempre desconfiou que a mãe tinha a doença devido à presença das aves próximo ao local do trabalho dela. Sandra estava internada na observação do PS quando descobriram a doença. Para tomar a medicação, ela precisava ser transferida para uma enfermaria do andar de cima. Essa transferência foi feita no início da noite de terça, mas a atendente passou muito mal e precisou ser entubada. Reveja os telejornais do Acre

FONTE: https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2026/07/20/presenca-de-pombos-preocupa-comerciantes-e-levanta-alerta-para-risco-de-doencas-no-ac.ghtml


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